Tire aqui suas dúvidas sobre o coronaví­rus de 2019!

Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias em humanos e também em animais. Os coronavírus são a segunda principal causa do resfriado comum, após o rinovírus. Há sete tipos de coronavírus conhecidos por infectarem humanos, dentre eles o SARS-CoV (causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave ou SARS) e o MERS-CoV (causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio ou MERS).

O novo coronavírus (SARS-CoV-2), descoberto em dezembro de 2019, faz parte de uma nova cepa de coronavírus que ainda não havia sido identificado em humanos. O SARS-CoV-2 causa a doença que foi oficialmente chamada de COVID-19 pela Organização Mundial da Saúde. O nome é um acrônimo do termo “doença por corona vírus” – em inglês Coronavirus disease 2019.

Os sintomas relatados por pacientes com COVID-19 incluem doença respiratória leve a grave com febre, tosse e dificuldade em respirar. Alguns pacientes podem ter ainda dores, congestão nasal, coriza, dor de garganta ou diarreia.
O coronavírus 2019 causa, em geral, sintomas respiratórios mais leves que os da SARS e do MERS. Em 3 de março, a OMS atualizou a estimativa da taxa de letalidade de 2% para 3,4% -- enquanto na SARS e no MERS os índices registraram 35% e 10%, respectivamente. O coronavírus 2019 pode provocar pneumonia e insuficiência respiratória, especialmente em pessoas mais velhas – homens, principalmente -- e que já tenham outras doenças.
A diferença quanto a sinais e sintomas de uma infecção pelo coronavírus 2019 em comparação aos demais vírus respiratórios é pequena. É importante, então, ter em mente os critérios de definição para casos suspeitos. Ver item 4.

Atualmente, não existe vacina disponível contra o coronavírus 2019. Por isso, a recomendação da Organização Mundial de Saúde é para que medidas gerais de prevenção sejam adotadas no dia a dia. As duas principais medidas, essenciais para diminuir a velocidade da transmissão, são o “distanciamento social” e os cuidados pessoais.

Cuidados pessoais: Lave as mãos com água e sabão frequentemente, principalmente ao chegar de ambientes públicos e antes de consumir alimentos. Você precisa lavar cada dedo, inclusive o polegar. Lembre também de lavar a ponta dos dedos e os espaços entre os dedos. O álcool em gel com pelo menos 70% de álcool pode ser uma opção quando não houver água e sabão disponíveis. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o cotovelo flexionado ou com um lenço descartável. Evite tocar nos olhos, nariz e boca. Mantenha os ambientes bem ventilados. Evite o contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença. Fique em casa quando estiver doente.

Distanciamento social: Essa é a medida do momento, especialmente para quem está no município de São Paulo. Como as pessoas sem sintomas também transmitem o vírus, precisamos nos afastar mesmo se estivermos bem de saúde. Todos precisam diminuir a quantidade de pessoas com quem tem contato. Trabalhe em casa se puder. Não vá a shoppings. Não vá ao cinema, ao teatro. Evite fazer festas. Não use o transporte coletivo nos horários de pico. Fique em casa o máximo de tempo possível. E, em casa, os objetos de uso comum devem ser limpos cuidadosamente.

O governo brasileiro ampliou o horário de atendimento dos postos de saúde, contratará dois mil leitos de UTI e está realizando chamamento de 5 mil médicos para a atenção básica. O país tem hoje 28 mil leitos de UTI habilitados ao SUS, sem contar a rede privada. Além disso, a campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada em todo o país. As primeiras doses estarão disponíveis para o público-alvo a partir de 23 de março. O Ministério da Saúde informa que todos os estados estarão aptos e equipados, até dia 18 de março, com o kit para fazer o teste de identificação do COVID-19.
Uma portaria do governo federal tornou obrigatório o isolamento de pessoas infectadas com COVID-19 e seus contactantes. Pessoas sintomáticas que testarem positivo deverão ficar em isolamento domiciliar durante 14 dias - prazo que pode ser renovado caso os sintomas continuem. Os contactantes próximos, mesmo que não apresentem sintomas, devem receber notificação para isolamento por um agente de vigilância epidemiológica.


Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde anunciou a adição de mil leitos de UTI, a compra de novos equipamentos e medicamentos e a contratação de mais profissionais de saúde para prevenir e combater o coronavírus 2019. O investimento em material inclui 20 mil kits para diagnósticos, 200 equipamentos respiratórios, 5 milhões de máscaras, 48 mil litros de higienizadores para mãos e 15 milhões de luvas.


Além disso, em 18 de março, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo ordenou o fechamento de shoppings e academias; ampliou de um para três meses a entrega de medicamentos de alto custo; e anunciou uma parceria com mil farmácias para o fornecimento gratuito das vacinas de gripe e sarampo na capital paulista. Na cidade de São Paulo, todos os eventos promovidos pelo poder público que gerem aglomeração de pessoas foram cancelados. Parques, museus, bibliotecas estão fechados. A prefeitura recomenda que eventos privados não sejam realizados.

Até o momento, não existe nenhum medicamento específico para prevenir ou tratar o novo coronavírus. Recomenda-se apenas que o ibuprofeno não seja utilizado. Ver Novas respostas sobre o coronavírus.

Para evitar o clima de pânico e o desperdício de recursos, a Organização Mundial da Saúde aconselha o uso racional das máscaras. O uso de máscaras é recomendado apenas para profissionais da saúde, cuidadores de idosos, mães que estão amamentando e pessoas diagnosticadas com coronavírus.
A análise da árvore genética desse vírus indica que ele se originou de morcegos, como a maior parte dos coronavírus, mas ainda não se sabe se o vírus foi transmitido diretamente ou se usou um hospedeiro animal intermediário. Mas o coronavirus que causou a epidemia de SARS tem o morcego como fonte, mas passou a infectar pessoas através de civetas, um tipo de felino. Já o MERS, outro coronavírus de origem de morcego, chegou às pessoas através de camelos.
A transmissão de pessoa para pessoa ocorre por meio de gotículas de saliva e/ou catarro que se espalham pelo ambiente.
A fonte animal do coronavírus 2019 ainda não foi identificada. Isso não significa que você pode pegar o vírus de qualquer animal. Na realidade, tudo indica que o mercado de animais vivos na China tenha sido responsável pelas primeiras infecções humanas relatadas. IMPORTANTE: Para se proteger, ao visitar esse tipo de mercado, evite contato com os animais e com as superfícies onde eles são colocados. O consumo de produtos de origem animal crua ou mal cozida também deve ser evitado. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme boas práticas de segurança alimentar.
Em um primeiro momento, a estimativa do período de incubação foi feita a partir de informações sobre outras doenças causadas pela família dos coronavírus, como SARS e MERS, que indicava 14 dias. No entanto, o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip, informou, em 17 de março, que o período de incubação do novo coronavírus é de 3 a 8 dias, por isso não é necessário isolar os pacientes por duas semanas. A partir das novas informações, o tempo de incubação deve ser alterado pelo Ministério da Saúde para 10 dias.
Sim, é seguro. A partir do que se sabe sobre outros coronavírus, acredita-se que esse tipo de vírus não sobrevive por muito tempo em objetos, cartas ou pacotes.
Pelo que se sabe até agora, pessoas mais velhas e/ou com condições médicas pré- existentes, como diabetes e doenças cardíacas, têm mais risco de desenvolver casos mais graves do coronavírus 2019. Em 24 de março, a ONU incluiu fumantes - independente da idade e de terem outro problema de saúde - no grupo de risco.

A vacina da gripe protege o indivíduo apenas para os vírus que causam a gripe (vírus da Influenza) e não protege contra a infecção do novo coronavírus (SARS-CoV-2) ou a doença que ele causa (COVID-19).

É importante que todas as pessoas dos grupos de maior risco para a gripe sejam vacinadas para diminuir a chance de desenvolverem um quadro grave da doença e óbito.

Neste ano, devido a ocorrência da pandemia do novo coronavírus, a ação começa com um mês de antecedência, visando, além de proteger antecipadamente a população mais vulnerável, evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado com casos de influenza, além dos casos de COVID 19.

Datas e público-alvo para a imunização:

1ª etapa - a partir de 23 de março

Idosos e profissionais da saúde.

2ª etapa - a partir de 16 de abril

Professores, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, profissionais de segurança e salvamento.

3ª etapa - a partir de 9 de maio

Crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puerperas, povos indígenas, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e adultos de 55 a 59 anos.

É recomendável que você fique em casa até liberação para tomar a vacina pelo serviço de saúde, evitando que outras pessoas se contaminem com o novo coronavirus.

Viviane Botosso - Instituto Butantan

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)

Agência Brasil

BBC

G1

El País