A semana em Ciência do Coronavírus:
Olá! Ciência do Coronavírus está de volta, e com a newsletter, nossa tentativa de acompanhar a produção de conhecimento sobre a covid-19 e o SARS-CoV-2 nas áreas de expertise do Instituto Butantan. Críticas, sugestões, reclamações e assinaturas, tudo é por meio do coronavirus@butantan.gov.br. Completamos a edição às 20 horas de 5 de agosto. 

• Crianças e covid-19: Um mistério da pandemia se expressa na incerteza sobre o papel das crianças e adolescentes na transmissão, inclusive porque o fechamento das escolas esteve entre as primeiras medidas tomadas para conter a covid-19. Já se sabe que crianças são, em geral, poupadas da doença. A questão sobre o lugar que ocupam como transmissoras do vírus, se infectadas, também importa para a reabertura das escolas.

• Na Coreia do SulUm estudo feito no país partiu de 5.706 pacientes com covid-19 severa (“pacientes-índices”) para acompanhar 59.073 contatos deles por 60 dias, a partir de 20 de janeiro de 2020. Dessas 59.073 pessoas, 10.592 moravam na mesma casa dos pacientes-índices e 48.481 não moravam na mesma casa, embora tenham tido contato com eles. Um achado do estudo: quem mais transmite doença dentro de casa tem entre 10 e 19 anos. Nas casas em que o paciente-índice pertencia a essa faixa etária, quase 19% dos moradores tiveram covid-19, a maior taxa entre todos os intervalos de idades. Por outro lado, a faixa de 0-9 anos apresenta a menor taxa de transmissão dentro de casa: 5%, quase quatro vezes menos que as crianças mais velhas. 

 Transmissão dentro de casa: O estudo reflete a dinâmica da epidemia já na fase de quarentena e chama a atenção para um ponto importante: o controle para limitar a infecção por SARS-CoV-2 depende também de uso de máscara, lavagem das mãos, não compartilhamento de objetos, dentro de casa. Os pacientes-índices (de todas as idades) contaminaram quase 12% dos contactantes que moravam com eles, e 2% dos que não moravam. Os autores ressalvam que testaram todos os contatos dentro das casas de cada paciente-índice, mas só os sintomáticos entre os contatos que não moravam na mesma casa, o que acentua a diferença entre as percentagens, mas não anula a tendência de maior transmissibilidade no interior do domicílio. 

• Outro estudo: Em 30 de julho, artigo no JAMA Pediatrics também informa sobre as crianças infectadas, mas por outro ângulo. Pesquisadores coletaram swabs de 145 pessoas, entre as quais havia 46 crianças menores de 5 anos, 51 entre 6 e 17 anos, e 48 adultos de 18 a 65 anos, para detectar a presença e a quantidade de RNA do vírus no nariz e na faringe. Descobriram que a quantidade de RNA do vírus presente no trato respiratório superior das crianças menores de 5 anos é maior do que a quantidade de RNA do vírus encontrada nas crianças e adolescentes de 6 a 17 anos e nos adultos entre 18 e 65 anos (que são similares). Os autores não afirmam que maior carga de RNA resulte em maior transmissibilidade; mas observam que, para o RSV (Respiratory Syncytial Virus, Vírus Respiratório Sincicial) já se demonstrou que a presença maior de ácido nucleico acarreta maior transmissão.

• HEROS: Uma esperança para a diminuição da ignorância sobre covid e crianças está nos resultados do HEROS (Human Epidemiology and Response to SARS-CoV-2), um estudo conduzido pelo National Institute of Allergies and Infeccious Diseases, um dos institutos de saúde do governo norte-americano. Lançado no início de maio, contará com 6 mil participantes, membros de 2 mil famílias, que serão acompanhados para ajudar a determinar a taxa de infecção nas crianças e nos membros de suas famílias; para aferir que percentagem delas desenvolvem sintomas da doença; e verificar se crianças com asma e outras alergias são mais suscetíveis. Os investigadores acompanharão os participantes por seis meses: até novembro.

• E mais: A crônica do Doutor Jared, que nesta semana defende a Biologia dos ataques da rainha das ciências – a Física; um balanço sobre as características do SARS-CoV-2, apresentado pela virologista Viviane Botosso, do Instituto Butantan; e a playlist dos melhores momentos do III Webinar Agência Fapesp-Canal Butantan.  

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PARTICULARIDADES DO SARS-CoV-2

Os meses de convívio com o novo coronavírus
A virologista Viviane Botosso foi a primeira pesquisadora a falar sobre o SARS-CoV-2 ao Canal Butantan. Passados mais de seis meses, ela volta para nos dizer o que ele tem de diferente de todos os outros, como ele infecta células em laboratório e mais.
 

OS TESTES DA CANDIDATA SINOVAC-BUTANTAN

O primeiro dia da vacina no centro do Emílio Ribas 
Os testes com pessoas que o Instituto Butantan está patrocinando no Brasil transcorrerão em 12 centros de pesquisa, localizados em seis estados do país. Em dez deles, o processo já se iniciou. No dia 30 de julho, o centro montado pelo Instituto Emílio Ribas iniciou seus trabalhos. A jornalista Adriana Matiuzo relata como o teste está organizado; e, no vídeo, acompanhe a "inauguração".
 

III WEBINAR AGÊNCIA FAPESP - CANAL BUTANTAN

Os modelos matemáticos e a pandemia 
No dia 4 de agosto, profissionais de saúde pública se reuniram para discutir o papel dos modelos matemáticos, que projetam o futuro da pandemia, nos próximos meses do nosso convívio com o coronavírus. Estiveram conosco Gabriela Gomez, que falou sobre seus cálculos de imunidade coletiva; Marcos Amaku, que projeta a epidemia para o Estado de São Paulo; Bernardo Horta, um dos organizadores do maior estudo sorológico feito no Brasil, o EPICOVID; e Júlio Croda, que apontou algumas limitações dos modelos. Também esteve no webinar o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas - que debateu com os participantes. Imunidade de rebanho, volta à escola, e muito mais!

CRÔNICA DO DOUTOR JARED

A data de nascimento da biologia, qual é? 
Para nosso cronista de assuntos pandêmicos e afins, a ciência da vida nasceu em 24 de novembro de 1859, dia da publicação de "A Origem das Espécies", o livro em que Charles Darwin descreve a teoria e a prática da evolução. Daí, a crônica chega a outros biólogos importantes para a consolidação da ciência.
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Canal Butantan, ciência e diversão: São mais de 23 mil horas de material sobre a ciência que gira em torno das pesquisas e dos produtos do Instituto Butantan. O conhecimento que envolve a produção de soros, vacinas e anticorpos monoclonais. O saber sobre animais peçonhentos e seus venenos. Histórias sobre as pandemias e discussões sobre o novo coronavírus. Animações e imagens da microbiologia. Podcasts sobre o fazer científico do Butantan. Nos acompanhe você também! Inscreva-se e compartilhe.
 
 
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