São Paulo amplia capacidade de testes para diagnóstico do novo coronavírus

Por Ciência do Coronavírus - 04.05.2020

Em coletiva de imprensa do dia 30 de abril, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, apresentou a nova estratégia de testagem para identificação de infectados pelo SARS-CoV-2 a ser implementada pelo governo paulista. Haverá a utilização combinada dos três tipos básicos de testes que indicam a presença do vírus na população. Atualmente, o Estado de São Paulo, por meio da Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico do Coronavírus tem executado testes de RT-PCR, que detectam a presença do vírus coletado nas narinas e na faringe de doentes hospitalizados. Grupos especiais como profissionais de saúde também têm sido acompanhados por meio do RT PCR.

“Estamos ampliando a estratégia de testagem da população e esperamos com isso ter uma melhor dimensão da curva de infecções no estado de São Paulo. Isso é fundamental para a tomada de decisões no enfrentamento da pandemia”, disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, em entrevista coletiva do Governo do Estado.

Há dois outros tipos de testes, além do RT-PCR, em utilização durante a pandemia. Ambos detectam anticorpos produzidos pelo contato do vírus com nosso sistema imune: os chamados testes rápidos e os testes do tipo Elisa. O resultado dos testes rápidos leva poucos minutos, mas eles não tem mostrado precisão suficiente e nem são capazes de indicar se os anticorpos presentes no sangue coletado são do tipo que garante uma imunidade, ao menos temporária. Sua utilidade é mostrar quem teve contato com o vírus. Os testes Elisa, mais acurados, são feitos em laboratório e podem identificar os anticorpos do tipo neutralizante, que indicaria a aquisição de imunidade.

Os testes rápidos

A partir de 15 de maio, o governo incorporará os testes rápidos para identificar infectados entre aqueles que tiveram contato com pacientes da COVID-19, mesmo que não apresentem sintomas. A fase inicial do projeto prevê realizar um milhão desses testes rápidos em parceria com os municípios paulistas. Metade dos kits que contêm o material necessário para a realização desses testes foi comprado pela fundação que apoia o Instituto Butantan, por R$ 30 milhões; os demais foram fornecidos pelo Ministério da Saúde e já estão sendo distribuídos aos municípios.

Um projeto-piloto com os testes rápidos já foi iniciado em parceria com a Polícia Militar, contou Dimas Tadeu Covas, O piloto inclui 35 mil profissionais da cidade de São Paulo e seus familiares, totalizando 145 mil pessoas. A aplicação do teste rápido também será feita nas chamadas “populações especiais”, que incluem profissionais da saúde e da segurança pública, internos da Fundação Casa e detentos do sistema prisional, doadores de sangue e pessoas que vivem em asilos, casas de repouso, orfanatos e comunidades terapêuticas.

A estratégia envolve ainda a utilização do RT-PCR, exame que identifica o material genético (RNA) do vírus. Esse tipo de exame (que precisa de cerca de 48 horas para se ter o resultado) detecta a infecção já a partir do primeiro dia. Os testes rápidostêm indicação mais tardia, em razão de o sistema imune demorar alguns dias até iniciar a produção de anticorpos.

Até o momento, os testes RT-PCR eram usados em pessoas com sintomas de moderado a grave, profissionais de saúde e óbitos. A partir de agora, mesmo quem tiver sintomas leves da doença será testado por RT-PCR. "Os sintomáticos leves devem continuar em isolamento domiciliar. Aqueles que ainda têm sintomas vão para o RT-PCR; sem sintomas, vão para o teste rápido", explicou o diretor do Butantan em webinar realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP em 29 de abril.

Testes Elisa

O Governo do Estado usará o teste sorológico pelo método Elisa em coortes populacionais definidas em conjunto com as prefeituras. O Elisa, que permite identificar quem já foi infectado e está imunizado, servirá como acompanhamento de casos específicos de transmissão e poderá indicar a trajetória de relaxamento do isolamento social.

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