Voluntários contam por que decidiram participar do estudo com a candidata Sinovac-Butantan no Hospital Emílio Ribas

Por Adriana Matiuzo05.08.2020

Na última quinta-feira (30 de julho), o Instituto de Infectologia Emílio Ribas tornou-se o segundo centro de pesquisa brasileiro a integrar o estudo científico com a candidata à vacina contra a covid-19 produzida pela farmacêutica SinovacLife Science. Ao todo, 852 voluntários começaram a ser recrutados pela instituição para receber as doses. A pesquisa está na fase III e é coordenada pelo setor de Ensaios Clínicos do Instituto Butantan.

Durante 12 meses, os voluntários serão acompanhados por uma equipe de médicos e profissionais de enfermagem que irão monitorar a segurança e a eficácia da candidata à vacina. O lançamento do estudo foi feito com uma coletiva de imprensa no Emílio Ribas, que contou com a presença do secretário Estadual da Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e do diretor do Butantan, Dimas Tadeu Covas.

A primeira voluntária a receber as doses do estudo foi a enfermeira Sarah Rangon, que atua há 14 anos no pronto-socorro do Emílio Ribas. “É um momento muito difícil para o mundo e quanto mais pessoas se prontificarem a participar desta pesquisa, mais rápido teremos uma resposta”, disse a enfermeira.

Quando decidiu se voluntariar, a fisioterapeuta Graziela Ultramari Domingues, supervisora do setor de Reabilitação no Emílio Ribas e que atua nas enfermarias e na UTI, considerou também os sentimentos de pacientes e suas famílias. Como atuam com o uso dos respiradores e aplicam a fisioterapia respiratória, ela e sua equipe são alguns dos profissionais que estão mais expostos diariamente ao contato com a covid-19 no hospital, bem como profissionais de enfermagem e médicos.

“Diante de tudo o que estamos vivendo nos últimos meses e de tudo o que temos acompanhado, inclusive o sofrimento e a angústia de pacientes e familiares, eu resolvi me voluntariar na esperança de que tudo isso acabe logo, como uma forma de contribuição para que a ciência possa achar um caminho para pôr um fim em tudo isso”, disse a fisioterapeuta.

A enfermeira Silmara Félix, que atua no pronto-socorro, também foi voluntária no primeiro dia do estudo no hospital e está otimista em relação à possibilidade de uma vacina ter a eficácia comprovada. “Que bom que agora temos uma vacina sendo estudada, uma pesquisa para que possamos passar por isso da melhor maneira possível, abreviando o sofrimento do mundo com essa doença”, disse Silmara.

O diretor do hospital, o médico infectologista Luiz Carlos Pereira Júnior, explicou que o foco do estudo são os profissionais de saúde que atuam no front porque eles são expostos ao vírus diariamente em sua rotina de trabalho. “A população escolhida neste momento para ser voluntária é uma população mais vulnerável e que interessa muito. É preciso saber se a vacina é eficaz e se ela protege ou não. Temos que oferecê-la para quem tem um risco maior de se infectar”, disse Pereira Júnior, que é o investigador principal do estudo no Emílio Ribas. Ao todo, o hospital tem hoje 1.660 profissionais e perdeu uma médica e uma auxiliar de enfermagem por covid-19.

Durante a coletiva de imprensa, o secretário Jean Gorinchteyn, que era médico infectologista do Hospital Emílio Ribas, lembrou que a instituição é uma unidade voltada para o combate às epidemias. Fundado em 1880, o instituto começou como um hospital de campanha implantado devido à epidemia de varíola da época. Desde abril, o hospital está 100% dedicado ao atendimento aos pacientes de covid-19. “É um momento histórico para um hospital que tem uma vocação de enfrentamento às epidemias e que não poderia ficar de fora deste estudo neste momento”, disse o secretário.

Já o diretor do Instituto Butantan lembrou a importância de se organizar um estudo rapidamente em 12 centros de pesquisa do país, envolvendo 9 mil voluntários. “Esta é uma vacina das mais promissoras do mundo em termos temporais porque ela, além de estar na fase III, tem um histórico que mostra que a possibilidade de sucesso é muito grande. Aqui, estamos dando velocidade a esse processo”, disse Dimas Covas.

Até o próximo sábado (8 de agosto), mais cinco centros, localizados em Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), São José do Rio Preto (SP) e Porto Alegre (RS), terão começado a aplicar a vacina em profissionais da saúde da linha de frente no atendimento aos pacientes de covid-19. Ao todo, 12 núcleos científicos foram selecionados para participar do estudo no país. A previsão é de que o estudo tenha seus resultados preliminares até novembro.

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